22.4.12

santa chuva.


- sério?
- sério.
- tu não gosta disso? - aquela mordida no pescoço.
- não.
sentada no colo dele, a gente troca um beijo. e outro. e outro.
daí eu paro. odeio tudo nele. a barba, o sorriso, o jeito como ele fala "deixa de besteira...".
- como tu pode não gostar das minhas mordidas? todo mundo ama minhas mordidas. inclusive, existe aí uma sociedade secreta de adoradores das minhas mordidas. foi o que eu ouvi.
- não gosto.
- sério mesmo?
ele ri.
- sério. assim tu não pode dizer que eu acho tudo em ti maravilhoso. agora, deixa de besteira e vem aqui.

...



lembro de ter deitado num lugar tranquilo, olhando o céu entre folhas de árvore. nos  fones de ouvido, só pra mim, o camelo cantava santa chuva. eu estava apaixonada há 24hs, e, se pelo passado ou futuro, não sei exatamente, chorei. mais que no amor, há algo de delicado e muito bonito na tristeza. deitada ali, exposta e frágil, confudi os dois, tristeza e amor.


~ she takes just like a woman, yes. she makes love just like a woman, yes, she does. and she aches just like a woman. but she breaks just like a little girl.