23.12.11

~ I DON’T WANT LOVE. I DON’T LOVE.


Foi surpresa que o apartamento não fosse uma bagunça. Quer dizer, claro que o vídeo game estaria ali. Também a caixa com os acessórios do guitar hero, quase junto da porta, que nenhuma mulher permitiria. Mas e os cascos de cerveja, as caixas de pizza e as meias jogadas no corredor, garoto? Eu estava curiosa.
Você me chamou pra conhecer o lugar, claro. Garotas, esses são os garotos sendo sutis, e chamando a gente pra conhecer o apartamento, ou seja, o quarto.
A geladeira, com os adesivos mais inusitados - as figurinhas de surfistas e marcas de roupa -, isso foi uma surpresa!, emprestada da sua irmã. No escritório, eu te chamei de nerd e insultei os teus bonecos colecionáveis do star wars. Perguntei de quem era a esteira, no único cômodo realmente bagunçado, aquele onde ficavam as caixas (recordações?), notei a ausência de fotos. E na porta do closet, sim, no teu quarto, brinquei com teu terno, com quem você era/é.
A gente faz um caminho pra encontrar o momento. E junto da parede, perto da porta, eu te esperei. Você veio: doce, pelos, um beijo. Mas...
Voltei à sala. Afinal, eu fui pra jogar. Esse era o combinado, certo? Nós jogaríamos.  Exceto que nenhum de nós queria jogar. O telefone tocou. - Tudo bem, atende aí. Levantei, e fui à varanda, me debruçando pra olhar o carro lá em baixo. De verdade, acho que eu só queria ir embora. Eu nunca sei o que passa na cabeça de um garoto, e eu estava nervosa pra caralho. O suficiente pra duvidar, pelo menos.
Perguntei se você tinha um cigarro, mesmo sabendo que não. Você era o tipo de cara que não curtia cigarro. Eu queria deixar claro que eu não me importava. Talvez, eu quisesse mesmo que você não gostasse de mim.
Busquei aquele assunto delicado. Eu machuco só pra saber o quanto a pessoa aguenta ou porque eu sei que ela vai ceder. Mas você não cedeu.
Ainda assim, eu disse que ia embora. Você disse que não, e me abraçou forte. Cara...
Acho que toda garota deveria passar por a experiência de sair na ponta dos pés, sapatos nas mãos, antes do dia encontrar um caminho, antes de ser verdade, antes de ele acordar.
Mas você me abraçou, e eu não queria mais jogar.

28.11.11

but here is the truth about the truth: it hurts. so we lie.

acho que eu não te disse, mas no dia antes do show, enquanto estavamos na unifor,  muito feliz por alguma coisa, eu nem lembro o  que era, e me passou pela cabeça que "a gente teria uma puta amizade", se não brigasse tanto.

acontece que teu pai tem razão, que a gente meio que faz mal uma pra outra. é assim, não é?

o negócio é que, as vezes, meio que ficava alguma coisa não dita, alguma coisa amarga entre a gente. eu sou um bocado sacana, eu sei. mas e você?
quando tua frustação era uma arma apontada pra uma felicidade sincera. "e que se foda!"
por exemplo, o cara que era tão importante pra mim, como tu podia falar daquele jeito, naquele tom? eu nunca entendi.
eu me preocupava com as suas merdas. eu não ligava quando você fazia merda comigo. e de novo. e de novo. e de novo. mas de novo!

eu sou um bocado sacana, eu sei. tão sacana quanto eu era na tua cabeça? talvez.
aquilo que tu me perguntou da ultima vez, não faço idéia.
as dúvidas e a história do carnaval sempre estão aqui. mas eu confio, droga!


agora tu parece muito bem. eu sou sincera, quando eu digo que fico feliz por isso. sou mesmo.
mesmo quando eu me afastei, como um romance quebrado, eu esperei que o tempo fosse gentil com nós duas.
é, teu pai tinha razão.


ainda,
com toda aquela merda, eu te amo e tudo.
em algum lugar, i am still your person.
are you still my person?




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6.11.11

07/07/08

sina.


de quando em quando, eu tento me entender com o que me incomoda. vez ou outra, eu encaro a verdade, e a aceito. sem resistência, sem turbulência, por de trás da turbina. e há claridade e calmaria. é romaria, onde eu escuto cores que eu não entendo bem. minha prece é silenciosa, e eu não faço idéia do que se diz. mas caminha sem pressa, não pede, agradece, em resignação. resignação. negação. sabe, é aí que teu grito. porque, vez ou outra, o passo leve me incomoda. é que talvez eu pare. ah, vai saber...!

e o que dizem por aí, é que a dor fortalece.


bobagem!
só fique bem, certo?

3.11.11

beatles.

lendo O Apanhador no Campo de Centeio, e dá uma vontade danada de falar de um jeito cru, sem disfarce, sem frescura. um jeito que expresse. com um monte de palavrão e tudo. como se em vez de falar, a gente gritasse. é um tipo de verdade, sem argumentos, toda livre. que se fala com certeza, mesmo que seja parcial.
é nosso segundo encontro, meu e do Apanhador. só descobri, depois, o "cult" do livro, que envolvia a história do assassinato do John Lennon. o livro é bem mais que isso, de verdade. é uma daquelas histórias que é bem única, mas que as expressões, a visão do mundo, de algum modo, podiam ser seus. meus, pelo menos.


 “Fico imaginando uma porção de garotinhos brincando no campo de centeio. Milhares de garotinhos e ninguém por perto. Eu fico na beirada de um precipício maluco. Sabe o quê eu tenho que fazer? Tenho que agarrar todo mundo que vai cair no abismo.”




...
quando leio um autor que eu gosto, sou um bocado desse autor. é como encontrar a parte oculta de você ou uma outra forma sua, expressada por aquele outro. é também admiração, como com as pessoas. foi assim que eu comecei a ouvir beatles, por exemplo, que eu gostava daquele jeito bem intenso que um amigo tinha de gostar.

17.10.11

30/06/08

...carros, barulho de busina, de trânsito. de gente rindo, gente brigando. pessoas conversando, pedindo informação e informando. anunciando. carrinho de cachorro quente, de café e tapioca, e de bombom. barraquinhas ambulantes. cheiro de milho assado, de fumaça, de pipoca e churros. cheiro de gente, de pressa e de trabalho. um homem pediu esmola. sacolas, bolsas, sapatos, vestido, jeans, branco, botão aberto. tarde. vento. cidade...

16.10.11

27/05/08

segunda - feira, manhã.

é onde tudo começa.





nossa heroína está deitada numa rede, sob coqueiros, sob um sol cálido - havaino ou algo assim -, mar a frente, uma bebida gelada na mão. uns kelly slater pra paquerar, uma música agradável - jack johnson ao fundo. chris o'donnell é o barman. yeah! ;)
uma... música... música(?)... som... que vai se tornando irritantemente familiar...
yeah! e ela resmunga "ô mãe, só mais 55 minutos, vai?".

SERÁ?

14.10.11

um dia, velhinha e sábia,
terei olhos indulgentes e um sorriso complacente
pra essa impaciência em excesso,
pra angústia infinita
e pros medos que duram mais que a noite.

um dia, velhinha e sábia,
terei uma mão afável pra coçar a cabeça do cachorro
e a da menina cuja a confusão vai além do quarto.

um dia... mas por agora, deixe estar;
o amanhã ainda é turvo
e a dúvida pra sempre.

maio, 2008.